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Invasão Turca: Os atores mais conhecidos e as produções que emplacaram na América Latina – Parte Final

Parte I) Invasão Turca: A produção e formatação das chamadas Novelas Turcas

A produção original como séries, a formatação em novela para atingirem mercados internacionais, e a possível chave do sucesso na América

Parte II) Invasão Turca:  Sucesso em vendagens e expansão para o mercado latino 

O fenômeno das novelas turcas em todo o mundo  e o êxito em  exportação, sobretudo na América Latina.


Parte III – FINAL) Invasão Turca: Os atores mais conhecidos e as produções que emplacaram na América Latina

Os atores turcos que já são referência para o público latino e as novelas turcas de maior sucesso em solo latino-americano.

 

Atores

Com a invasão turca em todo o mundo, vários artistas tornaram-se bastante conhecidos do público nos países em que as novelas turcas foram fazendo sucesso, além da Turquia, principalmente na América do Sul.

No Chile, a atriz Beren Saat, a icônica “Fatmagul“, chegou a concorrer e vencer premiações dedicadas às artes. No Brasil a estrela também ganhou destaque em inúmeros portais sobre novelas e televisão e se tornou a campeã nos mecanismos de buscas, inclusive aqui no Portal SobreTV.

Cansu Dere fez tanto sucesso em “Sila” em toda a América, que rapidamente todas as emissoras correram para transmitir outras novelas com a atriz como protagonista, incluindo o Brasil, com a Band, chegando “Ezel“, em que a premiada atriz interpretou a ambígua antagonista principal, apelidada de “Eysan do Mal” pela emissora brasileira.

Falando em Ezel, Kenan İmirzalıoğlu ficou famoso depois da exibição da trama e também já emplacou várias outras histórias em outros países latinos, como “Kabadayi“.

Halit Ergenç fez sucesso após protagonizar “Mil e Uma Noites“, a primeira trama turca a estrear em quase todos os países latinos, ele caiu de vez nas graças do público ao participar de “El Sultan“.

Mehmet Akif Alakurt que foi o protagonista masculino de “Sila” e chamou atenção por sua beleza é o preferido das telespectadoras das novelas turcas. O galã de 36 anos começou a carreira como modelo e hoje pode ser visto na tela da TV.

Engin Akyürek ficou famoso ao lado de Beren em “Fatmagul”. Ele ficou conhecido como o eterno Kerim da novela e junto a sua parceira de cena e a atriz Cansu Dere, é o ator que mais emplacou novelas turcas por toda a América. “Kara Para Ask” é mais uma dessa lista.

As Produções

Mil e Uma Noites (Binbir Gece)

Las Mil y Una Noches” em espanhol ou “Mil e Uma Noites” no Brasil foi a primeira novela turca a desembarcar em todos os países latinos, e foi também a partir do sucesso desta que vários outros títulos chegaram à Televisão latino-americana. Estreando primeiro no Chile, adquirida ainda através de distribuidores independentes, a novela rodou o mundo, e após o grande êxito em todos os locais em que foi exibida, tornou as novelas turcas respeitadas e conhecidas, ajudando a Turquia a se consagrar como uma potência na exportação de novelas, agora negociadas por conta própria das emissoras, sem intermédio de feiras, produtoras ou distribuidoras.

O enredo que se baseia na história árabe “As Mil e Uma Noites“, gira em torno de Sherazade (Bergüzar Korel), uma mulher viúva e mãe de Kaan, que sofre de leucemia e precisa de um transplante de medula óssea. Desesperada, ela tenta conseguir a quantia de 1 milhão de liras turcas para pagar a cirurgia e salvar a vida de seu filho. Ela recorre ao avô do menino, que lhe nega ajuda e, então, sem mais a quem recorrer, pede a quantia ao seu chefe, Onur (Halit Ergenç), sem explicar o porquê de sua necessidade, que aceita dar o dinheiro a ela, mas com a condição que passe a noite com ele. Sem saída, a mulher aceita e recebe o dinheiro na manhã seguinte. Sem conseguir tirar Sherazade da cabeça, Onur a procura e oferece o dobro para que tenham outra noite juntos, ofendida, ela nega. É então que ele decide conquistá-la. Ao descobrir a razão pela qual a sua funcionária aceitou a sua proposta, ele muda de atitude e lhe propõe casamento, fazendo de tudo para apaixoná-la, como um bom homem, até que ela passa a sentir o mesmo e lhe dá o tão esperado sim. Arrependido pelo que fez e completamente apaixonado, Onur não quer Sherazade por apenas outra noite, como para o resto de sua vida, por “Mil e Uma Noites”.

Produzida entre 2006 e 2009, a trama chegou em 2014 na América Latina pela chilena Megavisión. Logo em seguida estreou na Colômbia, através da Caracol TV. No ano seguinte virou febre em toda a América e chegou na Argentina, Uruguai, Peru e Bolívia. Sagrando-se um fenômeno, a produção dobrou ou triplicou a audiência de todas as emissoras que a exibiram, alguns canais chegaram a subir de posição no ranking de audiência durante a exibição da novela, que havia tornado-se líder em todos os lugares ou até mesmo levando toda a rede de televisão aos primeiros lugares de audiência geral, como no caso da Mega, que passou de 5 a 35 pontos, subindo de um quarto  lugar diretamente para o primeiro no ibope, onde se mantém até hoje.

No Brasil a trama chegou em 9 de março de 2015, na tela da Band, reinaugurando uma faixa do canal dedicado a novelas. No mesmo ano, o folhetim seguiu o seu passe de sucesso pela América e foi televisionada no Equador e no Paraguai.

Fatmagül (Fatmagül’ün Suçu Ne?)

Fatmagul: A Força do Amor” no Brasil e “¿Que  Culpa Tiene Fatmagül?” na América Espanhola é uma das mais bem sucedidas novelas turcas em todo o mundo.

Conta a história da personagem homônima, uma bela jovem camponesa, cuidadora de ovelhas e que namora Mustafá (Fırat Çelik). Certo dia, três homens bêbados e transtornados por substâncias químicas a encontram na rua e a estupram. o caso vira um escândalo e sem acreditar na inocência dela, o seu noivo a deixa sozinha. É quando Kerim (Engin Akyürek), um dos homens que estava presente na cena do crime, por culpa, se casa com a moça para tentar amenizar o sofrimento da mocinha perante a sociedade. Fatmagul (Beren Saat) então se vê casada e de baixo do mesmo teto de uma das pessoas que mais odeia, mas, aos poucos enxerga o quão bom filho, honesto e trabalhador é o seu marido e começa a mudar de ideia ao seu respeito. No entanto, o ressentimento a torna amarga, que usa desse arrependimento para tratá-lo mal e puni-lo. Diante das inúmeras tentativas sem sucesso de provar a sua inocência no caso, ele continua tentando uma forma para que ela acredite nele, até que se entrega a polícia e delata os verdadeiros estupradores, provocando a ira de pessoas perigosas. Kerim então passa a viver para proteger a sua esposa, por quem sem apaixonou perdidamente e salvá-la de grandes perigos para quem um dia possam viver em paz o seu amor.

No Brasil, “Fatmagul” foi a segunda novela oriunda da Turquia a ser exibida pela Band. Estreou em 31 de agosto de 2015, substituindo o sucesso inesperado de “Mil e Uma Noites”. Mas, a trama que ganhou o subtítulo brasileiro “A Força do Amor”, superou a sua antecessora no quesito audiência em 0,2 décimos, fechando com 3,05 pontos gerais, na faixa das 20h20 do canal paulista.

No mundo árabe, levadas pelo enredo da novela, as mulheres passaram a denunciar casos de estupro e abuso sexual, o que não era tão comum no continente. E graças a trama, Istambul obteve um alto crescimento em turismo, principalmente nos locais que serviram de locação para as gravações da produção.

Na América, foi a novela turca mais vista no Chile e no Peru, além da mais bem sucedida do ano de 2015 em todo o mundo. A atriz protagonista Beren Saat ganhou o Premio APES, promovido no Chile, como melhor atriz, sendo a primeira vez que uma atriz estrangeira vence uma premiação no país. A trama também conquistou o ‘Latina Turkish Awards‘ de Melhor novela promovido no Peru.

Sila

Sila: Cautiva por Amor” na América Latina ou “Sila: Prisioneira do Amor” no Brasil”, foi a terceira trama turca a ser exibida na maioria dos países latino-americanos. Por aqui, ela substituiu “Fatmagul” na faixa de novelas noturnas da Band em 28 de março de 2016, dez anos após a sua estreia na Turquia.

Com o sucesso de “Fatmagul”, a Band seguiu a tendência do mercado latino e escolheu a trama protagonizada por Cansu Dare para ser a sua substituta, continuando então com o mote de mocinha forte e guerreira no papel central. Assim, “Sila” narrava a história da personagem de mesmo nome que havia sido vendida por seu pai a uma rica família turca. Ao completar 18 anos, ele reaparece com a desculpa de que a sua mãe biológica está muito doente e deseja vê-la. Mas, tudo não se passava de uma armadilha para que a jovem se casasse com Boran, (Mehmet Akif Alakurt), chefe da tribo em que a sua verdadeira família vive,  para que então evite-se a morte do filho mais velho de seus pais, que viveu um amor proibido com a irmã do implacável homem e foi condenado à morte pelas leis da tribo. Sem saber, ela viaja e participa da festa de seu próprio casamento, até ser obrigada a assinar os papéis e terminar casada. Sila, que era uma mulher livre em Istambul, agora terá de viver presa a uma cultura turca ultrapassada e totalmente contra os seus valores e desejo de liberdade de vida. Ela então ficará dividida entre a vontade de fugir para voltar ser livre junto a família que a adotou ou viver com os pais biológicos e o marido, que matará a todos caso ela se vá.

A prisioneira do amor prendeu mesmo o telespectador e é dona das maiores médias de audiência das produções turcas em diversos locais. Em terras brasileiras, “Sila” obteve por um bom tempo a maior audiência entre as tramas da Turquia na Band, mas por conta do esticamento que a novela teve, passou os seus últimos meses com baixos índices, o que puxou a sua média geral para baixo, totalizando 2,9 pontos em surpreendentes e esgotantes 199 capítulos.

Foi vendida para mais de 25 países somente no ano de 2015. Dentre eles no continente Europeu, árabe e principalmente latino-americano.

Ezel

Ezel” não ganhou subtítulo no Brasil, mas em alguns países de língua espanhola foi chamada de “¿Ezel – Amor o Venganza?. A trama, ainda dramática, mas dessa vez cheia de suspense, foi a quarta produção da Turquia a estrear no país, também através da Band.

“Ezel’ foi baseada no enredo de “O Conde de Monte Cristo“, apresentando Ömer (İsmail Filiz), um rapaz de família, carinhoso, trabalhador, e que despertou em Eysan (Cansu Dare), uma bela jovem, que até então viveu apenas de aparências e mentiras, um amor verdadeiro. Mas essa mesma mulher, juntamente aos melhores amigos de Ömer armam um crime que o condeoa a prisão perpétua, acabando com a sua vida, e terminando com fama de assassino diante de todos. Assim, Eysan, Ali e Cengiz ficaram com todo o dinheiro roubado do crime e enriqueceram. Ömer então vai preso e sofre muito na cadeia, onde aprende a jogar. Lá ele encontra um homem que o ajuda a fugir e se vingar. Assim, em um incêndio, ele escapa com o rosto desfigurado e após várias plásticas muda de rosto, de nome, passando a se chamar Ezel (Kenan İmirzalıoğlu), rico após fazer fortuna através do poker, ele agora deseja vingança contra aqueles que os traíram. O que ele não sabe, é que a sua noiva foi obrigada a participar do plano e mentir diante do tribunal para receber uma quantia em dinheiro e assim salvar a sua irmã da morte, que precisava de uma cara cirurgia para prolongar os seus dias – ela sofria de um grave câncer e essa era a única maneira de salvá-la. Anos depois, Eysan se tornou uma mulher triste, infeliz e presa ao pecado do passado, enquanto que Ömer, agora Ezel, é vingativo, frio e calculista, mas o amor entre eles ressurge inexplicavelmente no primeiro contato após anos separadados. Um filho de Ömer, escondido por ela pode mudar os rumos dessa história.

Diferente das primeiras novelas turcas a ganharem destaque nos países latinos, “Ezel” trazia um homem no papel principal, com a atriz protagônica totalmente ambígua, sem revelar de imediato para o telespectador se era mocinha ou vilã. No Brasil, essa temática e tentativa de diferenciar a trama das demais não funcionou e a Band viu os seus índices diminuírem drasticamente ao passo que a novela avançava.

Embora extremamente ágil, a produção tinha um turbilhão de acontecimentos, o que pode ter feito o telespectador se perder. Além disso, a edição, tal qual a antecessora, não ajudou e a história ficou contada à conta-gotas. Outro problema foi justamente a ausência de uma mocinha protagonista, afinal, Eysan é do bem ou do mal? Parece que o público não gostou de pensar na possibilidade da personagem poder ser uma vilã e torcia para a retomada de um romance com o mocinho que nunca chegava nem perto de acontecer, cansando os poucos que assistiam a trama. Nem o fato da personagem ser interpretada pela atriz Cansu Dare, a mesma de “Sila”, e uma das razões para a trama ter sido a escolhida como sucessora, ajudou a novela que derrubou os índices do horário para 2 pontos.

Sucesso na América Latina, “Ezel” já foi vendida para mais de 20 países na América e ainda ganhou uma versão mexicana produzida pela Televisa, chamada de “Yago“, que a exibiu após a faixa de novelas mexicanas e hoje segue disponível na plataforma Blim. A produção turca ganhou 90% dos prêmios a que foi indicada, incluindo o de melhor série e o de melhor formato de programa.

Aşk-ı Memnu – Amor Proibido

Produzida em 2008, “Ask-i Memnu” (Amor Proibido no Brasil) é uma série turca de duas temporadas, com 90 episódios e estrelada por nada menos que a atriz Beren Saat, a eterna “Fatmagul”. Baseada em um romance turco homônimo, a produção conta a vida de Bihter Yöreoğlu, uma jovem que guarda uma grande mágoa de sua mãe por ter sido a responsável pela morte do pai dela, após ser pega em um ato de traição. Um dia, em uma de suas visitas ao túmulo do falecido pai, percebe que agrada a um homem rico e mais velho que ela. Ao descobrir que a sua mãe planeja dar o bote no milionário para herdar a sua fortuna, em uma tentativa de se vingar dela, casa-se com o homem, levantando uma série de polêmicas e acontecimentos que irão mudar o rumo dessa história.

A trama foi literalmente proibida em alguns países árabes conservadores por causa das cenas quentes entre dois personagens que são amantes na história. Já foi exibida em vários países latinos e ganhou versão americana chamada de “Pasión Prohibida” pela Telemundo. Há indícios de que a produção será a próxima a estrear na tela da Band.

Beren Saat mais uma vez levou o prêmio chileno APES como melhor atriz estrangeira, além de ter conquistado três dos quatro prêmios aos quais foi indicada por seu papel na produção. A trama bateu a marca dos 30 países para onde já foi exportada e transmitida.

Kara Para Ask (Dinheiro Sujo e Amor)

Dinero Negro” em espanhol e “Dinheiro sujo e amor” em tradução livre brasileira, “Kara Para Ask” traz a volta do ator Engin Akyürek, o Kerim de “Fatmagul” às telas das TVs latinas.  Produzida entre 2014 e 2015 em duas temporadas de pouco mais de 50 episódios, a série retrata o drama e o romance, como as produções mais femininas, mas com uma pitada de suspense, com uma pegada mais próxima a “Ezel”.

Ömer Demir (Engin Akyürek) é um comissário cheio de ambições. Ele está comprometido com uma jovem professora e deve viajar para Istambul para visitar sua namorada e organizar o casamento. Numa noite, a milionária Elif Denizer (Tuba Büyüküstün) comemora sua festa de aniversário surpresa. À meia-noite o pai dela recebe uma chamada e vai até o seu escritório. Na mesma noite, um telefonema a delegacia denuncia um assassinato, Omer está lá e decide ir até a cena do crime, quando encontra duas pessoas mortas dentro de um carro. A mulher morta é a sua namorada, e o homem que o acompanha é o pai de Elif. Assim, a vida dessas duas pessoas de mundos diferentes se unem para encontrar a verdade e o assassino de seus entes queridos enquanto o amor começa a surgir entre eles.

A trama foi vendia para mais de 105 países em todo o mundo e venceu 10 de 14 prêmios que disputou, inclusive rendendo a nomeação de Engin Akyürek para o Emmy Internacional 2015. Na América estreou primeiro no Mega, do Chile, que deu o pontapé para que começasse a sua passagem pelo continente latino-americano. Os últimos países a exibir a trama foram Argentina e Panamá, neste ano de 2017.

Esposa Joven (Küçük Gelin)

Esposa Joven” ou “Esposa Jovem” em português é mais uma famosa novela turca a percorrer toda a América Latina com relativo sucesso. Produzida entre 2013 e 2015, em três temporadas, a polêmica novela causou controvérsias em quase todos os locais em que foi exibida em razão do seu tema forte e considerado tabu e impróprio em vários países.

A trama é tão polêmica porque conta a história de uma menina de 13 anos que é obrigada a se casar com um homem maior de idade. Bom, quase toda novela turca mostra alguém sendo obrigado a se casar, principalmente as mais voltadas ao público feminino, sendo que nesta, a surpresa deu-se por se tratar de uma criança.

Sobre o enrendo, Zehra (Çağla Şimşek) é uma menina de 13 anos, inteligente, com grandes planos para o futuro. Sua vida muda completamente quando ela é forçada a se casar com um desconhecido e jovem milionário, Ali Kirman (Gökhan Şahin). Após o casamento, Zehra mudou-se para viver em uma luxuosa mansão com seu marido e sua família. No meio de tanto sofrimento, uma professora que é a sua verdadeira mãe, que todos acreditavam estar morta, será a sua aliada na tentativa de escapar de um matrimônio injusto e precipitado.

Falando sobre as polêmicas, na própria Turquia houve a paralisação da produção da trama na terceira temporada, que contou com apenas 12 episódios, ao invés dos 43 planejados, além de ter sido retirada do ar nos últimos capítulos, sem que os telespectadores pudessem ter visto os 3 últimos e por consequente o final em razão do polêmico tema, considerado um tabu nos países árabes.

Não muito longe de nós, no Uruguai teve até uma petição para que a novela não fosse exibida por causa da história que narrava o abuso sexual de uma menina de menor idade e as consequências desse ato, retratado aberta e livremente na produção.  A turma uruguaia do ‘mimimi’ alegou que a trama tinha cenas de estupro, espancamento e abuso psicológico e verbal; e implicaram até com tema da novela, que segundo protestavam, era um claro tom romântico (marketing central) que apoia e promove a apresentação da menina (mulher) para o homem agressor e estuprador.

Mas a emissora foi autorizada a seguir com a novela, pois o seu cancelamento seria um duro golpe a liberdade de expressão no país. No entanto, a ‘Institución Nacional de Derechos Humanos y Defensoría del Pueblo‘ do Uruguais, obrigou a Monte Carlo TV a abrir espaço em sua programação para promover debates sobre o tema.

O órgão deu a emissora 48 horas para apresentar um relatório com “medidas de proteção as crianças e adolescentes ” antes e depois de veicular a novela. Houve até uma tentativa da Unicef de proibir a trama em horário com proveniência de crianças na frente da TV.

Voltando a produção, mas sem deixar as polêmicas, o último capítulo da trama exibido nos países fora da Turquia, que nem teve o final televisionado, chamou a atenção pela troca da atriz protagonista, quando Kayra Zabci aparece no lugar de Çagla Simsek.

No país de origem, o protagonista masculino, Azad Kirman, foi preso e condenado à prisão perpétua por haver matado o seu pai.

Suleiman / El Sultán (Muhteşem Yüzyıl)

El sultán“, “Suleimán, el gran sultán“, “El Magnífico” são um dos nomes que a série turca ganhou ao ser exibida nas Américas, dando uma prévia de como o nome seria adaptado para o português. Traz de volta o ator  Halit Ergenç, o mesmo de “Mil e Uma Noites”.

Conta a história do Sultão Soleiman, o Magnífico (Kanuni Sultan Süleyman), que governou o império otomano, o mais longo reinado, de 1520 a 1566, quando veio a falecer. A novela relata a história do sultão que criou as leis do império, e que chocou vindo a casar-se formalmente (fato inédito até então no império Otomano) com a escrava ucraniana, Aleksandra Lisowska, mais conhecida pelo nome que adotou depois que passou a pertencer ao hárem do Palácio Topkapi: Hürrem. Toda essa trajetória da vida de Sultão, tanto na vida politica e militar, assim como na vida afetiva, é narrada pela novela.

Como o plano de fundo eram as tradições árabes de antigamente, como o mundo dos sultões, riqueza e afins, a novela foi o projeto mais caro da história da televisão turca, com um custo aproximado de 500 mil dólares para cada episódio. Somente sua pré-produção teve um orçamento de 4,7 milhões de dólares, dos quais 2,2 milhões foram para os cenários e figurinos.

Por causa do tema, a novela ficou mais concentrada nos países árabes e asiáticos, contudo, conseguiu chegar aos que se tornaram os maiores importadores das novelas turcas das américas: Chile, Argentina e Peru. Também teve passagem pela Bolívia.

Fez tanto sucesso na Turquia que chegou a incrível marca de quatro temporadas e 317 capítulos. O êxito ainda proporcionou uma spin-off de uma personagem da série. Apesar do sucesso, os mais conservadores, incluindo o atual presidente turco Recep Tayyip Erdoğan, repudiaram a novela e a chamaram de ofensora as tradições árabes.

Parece que na Turquia, assim como no México e nos EUA, é muito comum substituir os atores quando há algum problema, sem a preocupação de extinguir os personagens e, nesta produção, também há uma substituição, e da protagonista feminina que não participa da última temporada por motivos de saúde, dando lugar a outra atriz.

Karadayi

Protagonizada por Kenan İmirzalıoğlu, o Ezel, a produção é de 2012, o título é um trocadilho, que combina ‘Kabadayi‘, que na Turquia significa um cara durão, com o nome do protagonista masculino chamado Mahir Kara, dando vida ao nome desta grande história.

A história se passa na década de 70. Mahir Kara é um homem que trabalha em uma sapataria. Seu pai, Nazif é bom e respeitado no bairro, menos por criminosos e pessoas desonestas. Em um dia especial para Mahir, Nazif é acusado de assassinar um general. Após o julgamento, é condenado e sentenciado à morte. Mahir acredita na inocência de seu pai e promete encontrar o verdadeiro assassino. Ele inventa um plano: criar uma nova identidade e aparecer como advogado. A busca da justiça se complica quando ele se aproxima da juíza Feride Şadoğlu, que tem o destino de seu pai em suas mãos.

Com a sua terceira e última temporada recém estreada, até pouco tempo, apenas a Telefe da Argentina havia apostado na trama, mas que não rendeu o sucesso esperado, que estreou com grandes expectativas por se tratar do mesmo protagonista de “Ezel”, e a produção foi retirada do ar, passando a ser exibida apenas no site da emissora. Logo depois a trama chegou no Chile, Peru e já está sendo anunciada como grande estreia no Paraguai.

El secreto de Feriha (Adını Feriha Koydum)

O Segredo de Feriha” em tradução do espanhol, é a sensação atual da América Latina e tem sido aposta de quase todas as emissoras acostumadas a importar as novelas da Turquia. Contém 67 capítulos de 90 minutos, provenientes de suas duas temporadas, produzidas entre 2011 e 2012.

Feriha Yılmaz vive com sua família como inquilinos no sótão de um edifício de luxo de Etiler, um bairro nobre de Istambul. Ela recebe uma bolsa integral para estudar em uma faculdade particular. Lá, rapidamente se torna o centro das atenções, chamando atenção do mais  popular e conhecido aluno, Emir Sarrafoğlu, que se interessa por ela. Feriha então irá mentir sobre sua vida, se passando por uma jovem milionária e se complicando com as suas próprias mentiras.

Ao contrário das outras tramas, essa estreou primeiro no Peru, que compete ferrenhamente com o Chile pelo posto de maior importador de novelas turcas na América Latina. A produção chegou ainda ao Uruguai e Colômbia antes de desembarcar em terras chilenas. Sucesso por onde passou, Paraguai e Argentina foram os próximos a investirem no folhetim, que segue agora fazendo grande êxito pela América Central.

Elif

Elif” é a produção mais recente da Turquia e chegar na América espanhola. Ao contrário das demais, que demoram cerca de 3 a 5 anos para chegarem pela América latina, a trama foi finalizada neste ano de 2017. Com três temporadas que renderam incríveis 537 episódios.

Narra a vida de Melek, que era uma empregada doméstica e que se apaixonou por Kenan Emiroglu, o primogênito da família com quem trabalhava. Kenan também se apaixonou por ela, mas a sua mãe não aceitou o relacionamento e enviou o filho para longe de Melek, que nessa altura se descobriu grávida. A jovem empregada pensou que o amado tinha a abandonado, e ele nunca soube da sua gravidez. Assim nasce Elif. Tempos depois, seu pai está para se casar com outra mulher e a sua mãe com outro homem, um apostador violento que pretende vendê-la para pagar suas dívidas de jogo. A jovem mãe decide salvar sua filha e a entrega a Ayşe, a  governanta dos Emiroglu.

Apesar de recém terminada, “Elif” já chegou a três países latinos, como Peru, Chile e Paraguai, além de estar fazendo bastante sucesso na Telemundo de Porto Rico.

Gümüs

Gumus“, que em turco significa prata, ainda é uma novela pouco conhecida na América, apesar de antiga. Sua produção começou em 2005 e foi encerrada em 2007. Possui 100 episódios em três temporadas.

No enrendo, Gumus (Songül Öden), uma humilde garota que trabalha como designer de moda, salta para a alta sociedade quando seu tio rico (Ekrem Bora) pede que se case com o seu neto Mehmet Şadoğlu (Kıvanç Tatlıtuğ), por quem Gümüş foi apaixonada desde a infância. Mehmet é bonito e rico, mas está devastado pela aparente morte de Nihan (Hilal Uysun), sua amada noiva. O casamento é concretizado, mas Mehmet se recusa a aceitar Gümüş como sua esposa. Ele ainda tem presente a sua ex-namorada e se recusa a ter relações com ela. Gümüş viverá a indiferença de seu marido, mas, aos poucos conseguirá que ele se apaixone por ela. Apesar disso, o casamento estará em perigo em várias ocasiões, especialmente porque o melhor amigo de Gümüs, Engin, aparece apaixonado por ela, juntamente ao retorno inesperado de alguém que será um grandioso golpe a vida de seu marido.

A demora para ser descoberta no continente muito provavelmente deve-se ao fato das emissoras precursoras das novelas turcas na América terem investido na trama só agora, os casos de Chile e Peru. A partir disso, espera-se que a produção chegue a outros países latinos após a sua passada por esses dois, que são os principais exportadoras dessas novelas.

Kara Sevda – Amor Negro

Kara Sevda“, que em tradução do espanhol fica “Amor Negro” é uma produção turca ainda em exibição na Turquia, com o derradeiro final da segunda e última temporada marcado para o dia 21 de junho de 2017.

Kemal nasceu de uma família de classe média. Em seu último ano de engenharia de minas, uma menina chamada Nihan entra em sua vida monótona. O amor é impossível para a diferença de classe entre eles, mas que conseguem ficar juntos. Isto é, até o dia em que Kemal tem que se mudar para uma mina em  Zoguldak, desconhecendo que Nihan será forçada a casar com Emir Kozcuoğlu, um homem apaixonado por ela desde que eram crianças. Kemal está isolado em seu trabalho até que se passam 5 anos. Um dia, um acidente na mina faz com que ele decida voltar a Istambul para enfrentar o seu passado.

Apesar de ainda estar em exibição, mesmo que a poucos dias de seu fim, é um fato inédito que uma novela turca estreie na América Latina sem antes haver sido totalmente finalizada em seu país de origem. Como se sabe, as novelas turcas são na verdade superséries, e de extensos episódios, dividias em temporadas, transmitidas uma vez na semana. Assim, as emissoras latinas esperavam que a produção chegue ao fim para juntar todos os episódios e exibirem como novelas com todos os capítulos de uma só vez.

Mas, a Colômbia, por meio da Caracol TV, resolveu investir na trama e vem se saindo muito bem em audiência no horário de share baixo da tarde, obtendo índices de produções do horário nobre e vencendo as mexicanas exibidas pela RCN. Embarcando nesse sucesso, Chile, Paraguai e Argentina resolveram transmitir também a trama, que após chegar mais perto de seu final, foi anunciada também no Peru.

O Hayat Benim (¿Quién se robó mi vida?)

Essa Vida é Minha”, em tradução literal e “Quem Roubou Minha Vida?”, do espanhol, é uma produção turca recém-encerrada em sua terra natal, tendo o seu último episódio transmitido em 2 de maio de 2017. Possui quatro temporadas, com início em 2014, tendo 131 capítulos de 100 minutos.

Bahar é uma jovem que desconhece ser adotada. O seu avô materno, Yusuf, não aceitava o relacionamento entre sua filha e o pai de Bahar, que consegue separá-los e esconder a gravidez de sua filha, que morreu após o parto. A recém-nascida é dada aos criados da casa, e Nuran e İlyas a criam como sua filha. Durante anos, o avô de Bahar é atormentado pela culpa. Quando ele finalmente decide revelar a verdade para o seu ex-genro, Mehmet Emir, acaba morrendo após uma violenta luta com Nuran, pai adotivo de Bahar. Eles então o enterra e decidem mentir, dizendo que a filha biológica deles, Efsun, é a verdadeira neta do falecido e filha do também rico Mehmet Emir.

Desta vez, ganhou as telas latinas através do Uruguai, no Canal 10. O êxito chamou atenção de uma emissora peruana, que assim como a já citada anteriormente, resolveu investir na trama ainda no ano de 2016, quando não estava totalmente finalizada. Ao chegar ao seu fim na Turquia, a Caracol TV, da Colômbia, anunciou que irá transmitir a produção.

Dyego Terra – @dyoliver

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