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Especial – História Das Novelas Mexicanas – Capítulo IV

Como Surgiu E Se Desenvolveu A Teledramaturgia Mexicana Através Das Telas De Uma Das Maiores Produtoras De Novelas Do Mundo: Televisa – História Das Novelas Mexicanas – Parte IV

História das Novelas Mexicanas

Capítulo IV – Anos 1980: Televisa Leva Suas Novelas Ao Mundo Inteiro

Começando a nova década, a Televisa aposta em “Colorina”, trama de 1980 protagonizada por Lucía Mendez que conquista o público ao mostrar o drama da dançarina de cabaré que faz de tudo para recuperar o filho pequeno, sobre custódia da família paterna.

A novela ainda viria ganhar um remake famoso no Brasil, “Salomé”, de 2001, desta vez à cargo de Edith González.

Produzida por Valentín Pimstein, a trama é uma das primeiras a trazer uma prostituta em um papel central.

Colorina trabalhava em um cabaré e se apaixonava por um jovem milionário, e sua sogra (como em todo bom folhetim clássico) fez da vida da protagonista um inferno.

O drama da mocinha cativou tanto os mexicanos que Lucía Mendéz foi consagrada a partir de então, disputando com Verónica Castro os papéis de destaque das novelas dos anos 1980.

Inclusive, alimenta-se um rumor que Lucía e Verónica nunca se suportaram, e que existia uma grande briga de egos em torno das escalações de novelas e disputa de melhores papéis.

Em 1983 estreia no México uma novela considerada até hoje visionária e fora dos padrões. Enquanto as “novelas rosas” dominavam os finais de tarde e começos de noite dos mexicanos, e suas vendas ultrapassavam facilmente a barreira de 120 países, a Televisa decide lançar a novela “El Maleficio” (no Brasil, Estranho Poder, exibida pelo SBT em 1984), novela que tratava de temas como ocultismo, bruxaria e satanismo.

Uma das primeiras curiosidades a se destacar é que o renomado produtor e diretor de novelas Ernesto Alonso, além de exercer essas funções na trama, também atuou como o protagonista.

Interpretando o milionário Enrique de Martino, que havia vendido sua alma ao diabo, que na novela era chamado de “Bael”, simbolizado em um quadro pendurado na parte do quarto do protagonista (referência esta ao Retrato de Dorian Gray, romance famoso escrito por Oscar Wilde).

Em alguns momentos, os olhos pintados no quadro chegavam a brilhar, e “Bael” também possuía um cachorro ao longo da novela para executar o mal de maneira que preso ao quadro não podia se mover.

Os efeitos especiais eram de primeira qualidade para a época em que a novela foi produzida, mas um fato que chamou bastante atenção é o de que alguns atores gravaram as cenas munidos de crucifixos e talismãs, para se proteger de possíveis atos do sobrenatural, tema principal da novela.

Mesmo com um clima tenso, a novela durou 320 capítulos de 30 min, ficando mais de um ano no ar. E com um sucesso estrondoso pelo México. Ainda foi feita uma continuação para o cinema mantendo alguns atores originais, mas o filme foi um fracasso.

Em 1987, Verónica Castro interpreta “Rosa Salvaje”, exibida no Brasil posteriormente. Em “Rosa Selvagem”, ela dá vida a uma personagem humilde que ao se apaixonar por um jovem rico, tem que se defender da sua família que desaprova essa relação.

Destaque-se aqui a atuação de Laura Zapata como a grande vilã da novela. Trama de Inés Rodena, na verdade uma adaptação de mais de um texto da autora mesclado a novas histórias que comporiam esta novela que é uma das mais emblemáticas de maior fama da Televisa. 

Rosa Salvaje” carrega o título até hoje de maior audiência de uma novela no México, Verónica Castro já consagrada deu vida a humilde personagem que encantou não só a seu país como também ao mundo inteiro, visto as vendagens da novela.

Ela era a mais simples das tramas rosas, com humor dosado e muito sofrimentos por parte da mocinha. Mas era o tipo de novela que agrada a todos, aquela que você assiste sem pretensão de ver grandes diálogos ou cenas magistrais, apenas uma boa e velha história de amor impossível.

A novela estreou em um momento onde os mexicanos ainda vibravam com a novela “Cuna de Lobos”, algo até estranho, pois se comparadas, uma é o oposto da outra. Mas cada uma cumpriu o seu papel e são consideradas as duas melhores novelas dos anos 1980.


CENAS DO PRÓXIMO CAPÍTULO (Quarta, 22)

E como não poderíamos deixar de lado “Cuna de Lobos”, a novela ganhará um capítulo inteiro no nosso especial. Fechando os anos 1980 como uma das décadas mais importantes para a história da teledramaturgia mexicana, “Cuna de Lobos” é a novela mais revolucionária já produzida no México. A partir do próximo capítulo perceberemos a diferença entre as produções anteriores e posteriores a esta grande novela que influenciou drasticamente no modo de criar novelas no México, pela Televisa.

Jorge Luis.

Siga o autor no Twitter: @JorgeLuisSQ

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