Como Surgiu E Se Desenvolveu A Teledramaturgia Mexicana Através Das Telas De Uma Das Maiores Produtoras De Novelas Do Mundo: Televisa – História Das Novelas Mexicanas – Parte III

História das Novelas Mexicanas

Capítulo III – Anos 70: Nasce o conglomerado Televisa 

NASCE O CONGLOMERADO TELEVISA

Logo da Televisa dos anos 1970/1980.
Logo da Televisa dos anos 1970/1980.

Continuando a série sobre novelas mexicanas, (capítulo 1 e capítulo 2) chegamos agora nos anos 1970, onde ocorre uma das maiores mudanças da TV naquele país: A chegada da TV em cores. A união de duas grandes empresas que faz nascer a marca Televisa (antes Telesistema Mexicano) e a exportação de novelas ganha números impressionantes.

Em 1965 o Telesistema Mexicano havia ganhado um rival na preferência do público, a Television Independiente de México (pertencente ao PRI, partido mexicano que comandava o país na época e durante muitos anos).

A rivalidade acaba em 1972, quando o Telesistema compra a empresa rival e no ano seguinte (agora com 4 canais) forma o que conhecemos hoje como Televisa (canais 2,4,5 e 8). É a partir daqui que a história de sucesso da emissora ganha proporções gigantescas.

Na época o programa de maior audiência da Televison Independiente de México – TIM (canal 8), era o programa Chespirito (Chaves e Chapolin, eram quadros desse programa) vindo daqui o título original de Chaves, “El Chavo del Ocho” (O moleque do oito, em tradução literal).

Chespirito e seu elenco vão para o Canal 2 (atual “Las Estrelas”) e o programa passa a ser transmitido inédito no canal 2 e reprisado no dia seguinte no canal 8, agora com uma mudança, Chaves e Chapolin ganham status de séries independentes no horário nobre da TV com exibições semanais.  

Os seriados passam a ser exportados assim como as novelas do Canal 2. Este torna-se o maior canal mexicano e até os dias atuais continua sendo assim.

Para os brasileiros que são acostumados com vários canais, é algo estranho pensar que a Televisa possua 4 canais abertos e segmentados (1 canal de novelas e programas relacionados a elas, 1 canal apenas de produtos enlatados – séries, filmes e desenhos estrangeiros -, 1 canal de notícias e esporte e 1 canal feminino e de entretenimento).

Na prática, aqui no Brasil, isso ocorre com os canais fechados. Foi uma forma da Televisa de centralizar a audiência dos mexicanos, uma vez que possui a maioria dos canais de TV aberta e que são as maiores vitrines de faturamento em comunicação daquele país.

OS CLÁSSICOS DOS ANOS 1970: SURGEM AS NOVELAS ROSAS

Começando os anos 70, a primeira novela de destaque é “Muchacha Italiana Viene a Casarse” protagonizada por Angélica Maria (Conhecida no Brasil por “Rosalinda” e “A Feia Mais Bela”) e Ricardo Blume (O tio Fernando de la Vega em “Maria do Bairro”), contando a história de uma humilde jovem italiana que em troca de um tratamento médico para a irmã doente, é prometida em casamento a um homem no México, pelo qual ela chega a se apaixonar posteriormente.

Angélica Maria torna-se a primeira grande estrela de uma “novela rosa” no México e uma das atrizes mais queridas pelo público até os dias de hoje.

A novela foi exibida entre 1971 e 1972, às 17h, o que não a impediu de ser um fenômeno sem precedentes. É uma das primeiras novelas leves adaptadas para as tardes que consegue êxito nacional e internacional.

 

A aceitação de Angélica Maria e de atrizes posteriores acabou popularizando e taxando o produto como histórias de mocinhas humildes (geralmente pobres), que se apaixonam por um homem rico e com parentes que estão dispostos a fazer de tudo para separar o casal, o que popularmente chamamos de “novelas rosas”.

Textos simples e protagonistas carismáticas com enredos de muito sofrimento por parte da protagonista e vilãs impiedosas, marcaram a Televisa para sempre. Algumas dessas novelas dos anos 1970 chegaram ao Brasil nos anos 1980 pelo SBT.

Inés Rodena torna-se então a maior escritora desse tipo de novelas e Valentin Pimstein o maior produtor delas. No final dessa década são produzidas as 3 novelas que dariam origem a famosa Trilogia das Marias, da década de 90, protagonizadas por Thalia. As 3 novelas são: “Rina”, “La Venganza” e “Los Ricos También Lloran”.

Rina” (No SBT ganhou o nome de Desprezo) estreou em 1977, trazendo a história da vendedora de bilhetes de loteria que por sorte do destino herda a fortuna de um velho doente, causando assim à ira de sua família.

Com várias adaptações, essa primeira realizada em território mexicano já havia ganhado uma anterior na Venezuela e seu texto original era proveniente de uma radionovela da escritora cubana Inés Rodena.

A novela era considerada exageradamente dramática e triste, a protagonista era corcunda e inexplicavelmente conseguia através de uma operação retirar a corcunda (algo impossível clinicamente), mesmo assim a novela foi um grande sucesso.

O gênero de novelas rosas agradou em cheio ao público. E as vendas correspondiam.

Ainda em 1977 vai ao ar pela Televisa a primeira adaptação mexicana da radionovela “La Indomable” também de Rodena, chamada “La Venganza” (no Brasil, A Vingança). 

Trazendo Helena Rojo (de “O Privilégio de Amar”) como a protagonista humilde, que se casa com o galã enganada, este se une a ela apenas com o propósito de afrontar o irmão mais velho e a cunhada.

Ela é humilhada por todos, chega a pegar uma pulseira da lama com os dentes e ser presa antes de encontrar o pai rico, que a tornará uma dama da sociedade e buscará se vingar de todos que a humilharam.

Os Ricos Também Choram”, traria a história de uma moça humilde que ao ficar órfã é amparada por um bondoso senhor que a leva à sua mansão e a trata como sua filha, esta acaba apaixonando pelo filho de seu bem-feitor, causando a revolta da família dele, sobretudo de uma sobrinha distante que estava disposta a se casar com o herdeiro da fortuna da família Santesteban.

Com intrigas e armações, essa jovem acaba sendo abandonada grávida e enlouquece ao dar à luz, entregando seu filho recém-nascido. 

Protagonizada por Verónica Castro, essa novela sem dúvidas é o grande marco dos anos 70 e o pontapé para a exportação em massa das novelas mexicanas pelo mundo.

Essa foi a primeira novela mexicana exibida pelo SBT em 1982. Um grande sucesso no Brasil e no mundo, com estimativas de que foi exibida em cerca de 175 países.

Verónica tornou-se a rainha das novelas a partir daí e seu rosto era o mais rentável para a Televisa, tal fama a fez repetir papéis de mocinhas sofredores por quase 2 décadas.

O sucesso no Brasil fez com que Verónica visitasse o país e outras novelas da atriz chegaram ao SBT (O Direito de Nascer e Rosa Selvagem).


CENAS DO PRÓXIMO CAPÍTULO (Domingo, 19)

No próximo capítulo deste especial falaremos sobre os anos 1980, onde a Televisa já estava consolidada como a maior produtora e exportadora de novelas para o mundo. Verónica Castro e Lucía Mendez brilham nas novelas rosa, nasce uma rivalidade entre ambas pelos melhores papéis e ocorre a chegada de novelas vanguardistas no México.

Jorge Luis.

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