História das Novelas Mexicanas

Como Surgiu E Se Desenvolveu A Teledramaturgia Mexicana Através Das Telas De Uma Das Maiores Produtoras De Novelas Do Mundo: Televisa – Parte II

História das Novelas Mexicanas

Capítulo II – Anos 1960: O Mundo Em Preto E Branco

No capítulo anterior foram mostradas o surgimento da TV no México e as primeiras novelas ainda nos anos 1950. A partir de agora, embarcaremos nos anos 1960, onde ainda em preto e branco e com o recurso do vídeo-tape, a Televisa (ainda Telesistema Mexicano) começou a exportar conteúdo para alguns países da América Latina. As novelas começam a ganhar os lares de países como Peru, Colômbia e Venezuela, os primeiros compradores de novelas mexicanas. Era o começo da consolidação do império mexicano na venda de novelas.

No ano de 1966 vai ao ar a primeira versão da Televisa (ainda Telesistema Mexicano) de “Corazón Salvaje”, original de Caridad Bravo Adams, trazendo Enrique Lizalde como o inesquecível “Juan del Diablo” (famoso no Brasil por várias novelas como “Maria do Bairro” e “A Usurpadora”, além do remake de 1993 de Coração Selvagem, exibido pelo SBT em 2000/2001, interpretando dessa vez o protetor do personagem que na década de 60 havia sido o seu) e ainda a fogosa e terrível vilã Aimée, interpretada por Jaqueline Andere ( De “A Outra”, “A Madrasta” e “A Dona”).

Novela Corazón Salvaje

Corazón Salvaje” traz ao público mexicano a história de Monica (Julissa), que por uma desilusão amorosa decide se tornar freira, mal-estar causado por sua cruel irmã, Aimée (Jaqueline Andere) que rouba seu noivo. Monica é em seguida obrigada a casar com Juan del Diablo (Enrique Lizalde), filho bastardo de um grande fazendeiro. Ao qual casa-se com Monica, para se vingar de Aimée que o seduziu e o abandonou.

De uma relação frágil nasce um grande amor, mas a irmã má não irá permitir que o casal seja feliz e fará de tudo para separá-los, ainda mais quando seu marido descobre a vida que ela levava antes do casamento, regada a amantes e luxúria, algo impensado para o começo do século XX, época de ambientação da história.

O sucesso da trama foi imediato e elevou Jaqueline Andere ao status de grande vilã de novela. Em papéis seguintes e até recentes, ela interpretou outras vilãs memoráveis, como em “A Outra” e “A Madrasta”.

Cenas Raras de “Corazón Salvaje”, em um especial sobre os 50 anos de telenovela:

Novela El Derecho de NacerAinda neste ano é realizada a primeira versão mexicana de “El Derecho de Nacer”, clássico que assim como “Corazón Salvaje” ganharia várias versões para o rádio e tv e se tornaria uma das histórias mais cativas do público que gosta de novelas.

“El Derecho de Nacer”, ambientada em Cuba nos anos 1950, traz a história de Maria Elena (María Rivas) que ao engravidar ainda solteira, tem o filho roubado ao nascer, a mando de seu pai. E este vive uma vida de privações longe da mãe.

Levada ao ar pelos cuidados de Ernesto Alonso (famoso produtor, ator e diretor de televisão) este foi seu primeiro grande sucesso como produtor. A povo mexicano parou para acompanhar o sofrimento da mocinha ao longo dos capítulos e fez deste clássico inesquecível.

A história é uma das mais famosas e adaptadas da América Latina, apenas no México foram realizadas outras duas versões, em 1981 e em 2001. Além disso, a novela ganhou versão brasileira no rádio e na TV, na Tupi e no SBT.

Veja abaixo um trecho de um Especial sobre novelas com cenas de “El Derecho de Nacer”:

Novela Rubi 1968
Irma Lozano, Antonio Raxel e Fanny Cano como Rubi na novela “Rubi” de 1968

Em 1968 a escritora Yolanda Vargas Dulché decide junto ao canal 2 realizar a primeira versão para TV de um clássico das fotonovelas (novelas veículas em revistas semanalmente na época), nascia aqui “Rubi”. Muito similar a história de “Teresa” realizada 9 anos antes, “Rubi” também se torna um sucesso estrondoso e assim como a novela anterior consegue chegar ao Cinema e a ter adaptações posteriores.

Rubi conta a história da personagem-título vivida por Fanny Cano, uma mulher ambiciosa que troca o amor que sente por Alejandro (Antonio Medellín) por uma vida de luxo ao lado de César (Carlos Fernández), noivo de sua melhor amiga, Maribel (Irma Lozano).

A história prendeu o público mexicano na frente da telinha por 53 capítulos de 30 minutos, o suficiente para tamanho o sucesso, fosse levado ao cinema dois anos mais tarde, porém dessa vez com atores diferentes, ficou à cargo de Irán Eory (Vitória de la Vega, em Maria do Bairro) dar vida a megera nas telonas.

Confira cenas de um Especial sobre novelas, Rubi – 1968

  •             Apenas em 2004, a Televisa veio realizar uma adaptação da novela, protagonizada pela uruguaia Bárbara Mori, Rubi (2004), foi considerada a melhor novela daquele ano, a protagonista ganhou vários prêmios por melhor atriz (incluindo o TVyNovelas), e a novela foi exportada para mais de 100 países, fazendo dela um dos maiores sucessos dos anos 2000. Uma curiosidade que vale destacar é que Antonio Medellín, que viveu Alejandro em 1968, volta na versão de 2004 vivendo o pai do protagonista, uma singela homenagem da Televisa ao ator.

CENAS DO PRÓXIMO CAPÍTULO (Quarta, 15)

No próximo capítulo deste especial falaremos sobre a chegada da TV em cores no México, o nascimento do Conglomerado Televisa (como o conhecemos hoje) e as novelas que marcaram a década de 1970, que foi uma das mais importantes para a história das telenovelas, uma vez que foi a década em que elas passaram a ser transmitidas em toda América Latina e, pela primeira vez, extrapolaram as fronteiras das Américas e chegaram à outros continentes, como a Europa.

Jorge Luis.

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