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Especial – História Das Novelas Mexicanas – Capítulo XI

Como Surgiu E Se Desenvolveu A Teledramaturgia Mexicana Através Das Telas De Uma Das Maiores Produtoras De Novelas Do Mundo: Televisa – História Das Novelas Mexicanas – Parte 11

História das Novelas Mexicanas

Capítulo XI: Década De 2010 – Angelique Boyer Se Torna O Novo Rosto Da Televisa

    Os anos 2010 chegaram e continuaremos falando sobre as melhores e maiores produções da atualidade, dividimos essa seção em três capítulos, este em especial totalmente dedicado a atriz mexicana que ganhou o coração do público com seus personagens intensos. No capítulo seguinte vamos continuar vendo as novelas de sucesso desta década em HD e, no nosso último capítulo, veremos as produções atuais, a chegada das tele séries e do Blim.

Angelique Boyer

            A atriz nasceu na França, batizada como Monique-Paulet Boyer Rousseau, mas desde os dois anos de idade vive no México. Começou sua carreira devagar no CEA (Centro de Atores da Televisa) e foi apenas em “Rebelde” (exibida originalmente entre 2004 e 2006) que a atriz ganhou um papel de destaque.

            Depois de viver a personagem Victoria Paz na trama juvenil, ela emendou personagens em novelas seguintes, como “Alma de Hierro” e um papel de destaque na nova versão de “Corazón Salvaje”, mas a sua grande virada veio quando fez teste para protagonizar “Teresa”.

            Desacredita como atriz por sua pouca idade, ela superou várias atrizes mais experientes nos testes e conseguiu chegar ao posto de protagonista em 2010. Começava aqui sua jornada como a atriz responsável pelos maiores sucessos da atual década na Televisa.

Teresa

Em 2010, José Alberto Castro decide recriar o clássico “Teresa”, uma das primeiras novelas mexicanas já exibidas, e para tal desafio é realizado na Televisa um imenso casting em busca da protagonista perfeita para a trama. Atrizes como Maite Perroni, Altair Jarabo, Ana Brenda Contreras, Aracely Arámbula, Margarita Magaña, Africa Zavala, dentre outras, fizeram testes para viver a interesseira Teresa. Mas quem veio a ganhar o papel foi Angelique Boyer, atriz de origem francesa, radicada no México, que já vinha ganhando destaque em personagens menores em outras novelas.

“Teresa” contaria a história de uma jovem que faria uso de seus atrativos físicos e inteligência para subir na vida, casando-se com o seu professor, Arthur, interpretado por Sebastián Rulli, deixando para trás o amor que sentia por seu vizinho, o taxista e estudante de medicina Mariano (Aarón Diaz).

A trama central contou com a conturbada vida sentimental da anti-heroína, Teresa (Angelique Boyer), que desiste de esperar pela melhoria de vida através do seu esforço e decide seduzir e casar com Arthur (Sebastian Rulli). Mas a vida de Teresa se torna um tormento, além de não conseguir amar o marido, ela não aceita perder Mariano (Aarón Díaz) nem para Aída (Margarita Magaña), sua inimiga da época de escola e faculdade, nem para Aurora (Ana Brenda Contreras), sua então melhor amiga.

As idas e vindas com Arthur, e a insistência em fazer mariano não a esquecer permeiam as principais cenas da novela. Assim como a vergonha que Teresa sentia da sua origem humilde e da sua família. Isso fez da personagem uma megera idolatrada pelos telespectadores. Como poucas vezes, o público torceu abertamente para a vilã. Seu produtor foi obrigado a dar uma virada nas semanas finais da novela, com um arrependimento de Teresa no final e um final feliz com Arthur, fazendo-a se apaixonar pelo homem que ela mais fez sofrer.

A personagem ganhou forma numa brilhante atuação de Angelique Boyer, a elevou ao status de grande estrela dos novos tempos. Teve a maior audiência de um final de telenovela da nova década (não superado), ganhou o prêmio TVyNovelas de Melhor Atriz em 2011, sendo a mais jovem a conquista-indo diretamente ao horário nobre da Televisa.

Teresa fez Angelique Boyer ser conhecida no mundo inteiro e ser idolatrada em países como Brasil, Espanha e EUA. Atualmente é a novela mais vendida da década pela Televisa (com vendas acima de 100 países) e é campeã de reprises dos canais latinos, sempre com muito sucesso.

Abismo De Paixão

            A produção arrojada de Angelli Nesma Medina estreou na Televisa no começo de 2012, mas desde o ano anterior muito se tinha especulado quanto a produção. A definição dos protagonistas demorou a ser dada. Assim como o horário da trama, programada para substituir “La que no Podía Amar” no horário das 7, a trama foi ar antes do previsto no horário das 9.

            O horário nobre naquele 2012 estava complicado, “Triunfo del Amor” e “Dos Hogares” haviam sido fracassos e o horário das 9 precisava de um suspiro. Abismo de Paixão estreia então como uma tábua de salvação para a Televisa.

            Angelique Boyer desta vez ao lado de David Zepeda encabeçam o elenco da produção. E mesmo desacreditada a novela já começa acima da média estabelecida. A trama se tratava de um remake de “Canavial de Paixões” trama de grande sucesso dos anos 1990. Talvez por isso ninguém acreditou de cara em seu sucesso.

            Elisa (Angelique Boyer) e Damião (David Zepeda) são de famílias que se odeiam por um engano do passado causado por Carmem (Sabine Moussier), tia da protagonista. A mãe de Elisa havia sido acusada de ser amante do pai de Damião, e na fuga teriam morrido juntos. Na verdade, a amante era Carmem, que havia sido impedida pela irmã de cometer tal loucura.

            Almerinda (Blanca Guerra), a autoritária viúva e mãe de Damião, passou mais de 15 anos manchando o nome de Elisa em seu pequeno povoado e levou o filho embora para não ter contato com a família que ela julgava ser a responsável pela morte de seu marido.

Augusto (Alejandro Camacho), pai de Elisa, tornou-se um homem amargurado e depressivo, casou-se com a cunhada Carmem, pois ela o fez acreditar que estava grávida dele, e ainda o fez duvidar da paternidade de Elisa.

A vida de Elisa e Damião tinha tudo para nunca mais se cruzar quando ele volta ao povoado, e se encanta mais uma vez pela jovem, mas agora chega com sua noiva Florência (Altarir Jarabo) que não permitiria que o noivo a deixe.

A novela é repleta de cenas marcantes e de atuações intensas, foi a responsável por subir em quase 6 pontos a audiência do horário nobre mexicano e se tornar um clássico dos tempos atuais.

Angelique Boyer defendeu muito bem sua protagonista, ora corajosa e arrojada, ora triste e sofredora. Soube dar cada nuance necessária, sem deixá-la chata ou cansativa, como a maioria das mocinhas. O que veio a tornar-se característico em suas novelas seguintes. Boyer foi a protagonista mais jovem de uma novela das 9 aos 23 anos.

A química entre o casal central, Boyer e Zepeda foi evidente, e ambos ganharam a torcida do público desde o início.

            Quem brilhou do começo ao fim da trama foi Sabine Moussier, ela ganhou aqui uma vilã de grande repercussão, capaz de tudo para encobrir os segredos do passado, e junto a Salvador Zerboni, formaram uma das duplas de vilões mais lembradas dos últimos anos.

O Que A Vida Me Roubou

            Em 2013 a produtora Angelli Nesma já tinha definido sua protagonista para a nova trama que estrearia no horário nobre, mas muitos se assustaram ao perceber qual seria a adaptação realizada naquele ano. Tal espanto se deve graças ao sucesso estrondoso que a versão anterior havia feito e ao tempo entre uma adaptação e outra, apenas 10 anos.

Amor Real” foi a escolhida por Nesma para uma nova adaptação. Angelique Boyer repetiria aqui a parceria com a produtora e com Sebastian Rulli com quem havia trabalhado no megassucesso “Teresa”.

O que a Vida me Roubou” foi o título escolhido para a nova adaptação, que contaria ainda com uma grande surpresa: a versão seria ambientada nos dias atuais, diferindo das versões anteriores e que eram novelas de época. Um desafio grande para a produtora e para sua equipe.

O enredo trata de Montserrat (Angelique Boyer) e Alessandro (Sebastian Rulli) que se casam graças às investidas de Graziela (Daniela Castro) para unir o casal e salvar a família da ruína. Separando a filha de seu então verdadeiro amor, o cabo da marinha José Luís (Luís Roberto Guzmán).

Tudo se complica quando Alessandro, depois de casado, descobre que a esposa amava outro e tentou fugir com ele. A obrigando a viver trancada em sua fazenda. E com José Luís chegando para ser capataz, se passando por outra pessoa, deixando Montserrat angustiada com os dois homens de sua vida vivendo praticamente no mesmo teto.

A mocinha demora para se apaixonar pelo marido, mas quando finalmente o aceita, este descobre a farsa de seu capataz e decide abandonar Montserrat, grávida de um filho seu. Dando margem para as idas e vindas de Montserrat com os dois protagonistas.

A produção teve de ser adiantada, pois a novela das 9 na época, “La Tempestad” era considerada, até então, a pior da história da Televisa, com índices menores que qualquer outra produção. Nesma então teve de se apressar. Sua novela estrearia apenas em 2014, mas foi adiantada para o final de 2013.

Angelique estreou com muita expectativa, pois ela já havia reerguido o horário nobre em 2012. Mas a novela começou tímida nos números. A partir da separação do casal central e do terceiro mês de exibição a novela estourou na audiência e conseguiu mais uma vez mostrar que boas histórias, quando bem adaptadas, conseguem prender o público.

E o inesperado ocorreu: a novela conseguiu tanta repercussão quanto sua versão anterior.  Consagrou de vez a protagonista como a queridinha do público mexicano, exatamente por fugir do padrão de mocinhas bobas e inocentes.

A trama, devido a seu sucesso e a copa do mundo de 2014, foi esticada em 2 meses, e acabou com quase 200 capítulos no ar, isso, porém, não atrapalhou a sua audiência, que em sentido crescente, chegou várias vezes a superar os 30 pontos. Novas tramas foram criadas e os vilões mais uma vez tiveram papéis decisivos nos capítulos.

A novela contou com Daniela Castro que fez de sua personagem um grande sucesso. Graziela era um tipo de vilã histérica e caricata, mas que agrada pelo humor ácido de suas falas. A atriz foi consagrada com um TVyNovelas de melhor vilã em 2015.

Prêmios esses que não faltaram, inclusive um prêmio de melhor ator para Sebastian Rulli, que há anos concorria e nunca tinha conseguido ganhar. A novela infelizmente não foi coroada como a melhor do ano, mas sua audiência a fez se tornar a mais vista e de maior repercussão.

 

Cabe ainda ressaltar a novela “Tres Veces Ana”, apresentada em 2016, onde a atriz interpretou trigêmeas em uma adaptação de “Laços de Amor”, que consagrou Lucero, mas isso será melhor detalhado em nosso último capítulo em que falaremos das novelas da nova fase do canal.

Angelique Boyer tem demonstrado, desde que surgiu como “Teresa”, ser a mais dedicada atriz de sua geração. Enfrentou os principais desafios em novelas e tem cada vez mais seguidores pelos países onde são exibidas suas novelas. Mostrando uma nova cara da Televisa, uma produtora que tem tentado se reinventar ao longo das décadas.


Cenas do Próximo Capítulo (Quarta, 19) – PENÚLTIMO CAPÍTULO

No próximo capítulo do nosso especial (o penúltimo), continuaremos falando sobre as novelas da atual década que conquistaram o público e se tornaram inesquecíveis mesmo com tão pouco tempo de exibição.

Jorge Luis.

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@JorgeLuisSQ

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