Como Surgiu E Se Desenvolveu A Teledramaturgia Mexicana Através Das Telas De Uma Das Maiores Produtoras De Novelas Do Mundo: Televisa – História Das Novelas Mexicanas – Parte X

História das Novelas Mexicanas

Capítulo X – Novelas Teens

Continuamos nossa série de matérias sobre as novelas mexicanas produzidas pela Televisa, desta vez veremos as principais e mais queridas novelas teen que conquistaram os jovens e fizeram com que a Televisa investisse bastante nesse filão durante vários anos.

Primeiro Amor

            Este grande sucesso foi uma das primeiras novelas para o público adolescente produzida no México em sua versão original, protagonizada por Adela Noriega e Thalía em 1987.

            No ano 2000 ganhou uma nova roupagem intitulada: “Primer Amor”, (no Brasil, Primeiro Amor – a Mil por Hora). Anahí ganhou o papel de protagonista antes pertencente à Adela Noriega. Interpretando a jovem sonhadora, porém de classe humilde, Giovanna Luna. Kuno Becker foi o jovem galã escolhido para interpretar o mocinho, Leon Baldomero. Duas revelações foram escolhidas para co-protagonizar a novela, Ana Layevska e Valentino Lanús.

            O enredo trazia a história de Giovanna (Anahí) e Marina (Ana Layevska) que sonhavam com suas festas de 15 anos, como todas as garotas de sua idade. Mas logo nos deparamos com as diferenças sociais, enquanto o pai de Giovanna se endividava para pagar a festa dos sonhos da filha, com Marina acontecia exatamente o contrário.

            Giovanna era apaixonada por Leon (Kuno Becker), mas por insistência de sua mãe havia se afastado dele, alegando que ele não passava de um moleque qualquer. O mocinho havia deixado de estudar para trabalhar como mecânico na oficina do pai viúvo, mas mesmo com dificuldades sonhava retomar os estudos.

Em contrapartida, a melhor amiga de Giovanna, era a rica e mimada Marina, que tinha de tudo, mas sofria pela falta de atenção dos pais, e viria posteriormente a se apaixonar por seu irmão postiço, Rafael (Valentino Lanús).

E como se os problemas da descoberta do primeiro amor fossem poucos para Giovanna, ela tinha de lidar com a inveja da irmã mais velha, Priscila (Arleth Terán) e a obsessão de Daniel (Mauricio Islas), que deseja possuir Giovanna a todo custo. É nesse meio hostil, que junto a irmã da protagonista, o vilão, consegue forjar uma noite de sexo com Giovanna, drogando-a. E tornando sua vida um tormento, pelo medo das consequências do possível estupro.

A novela produzida por Pedro Damián apostou em cenas fortes, violentas e pouco comuns em novelas para o público jovem até aquele ano. O sofrimento da personagem de Anahí ao se deparar com um possível estupro e a possibilidade de transmissão do HIV, as lutas de gangues onde o vilão aparecia frequentemente, o tráfico e uso de drogas por menores, a luta do personagem de Kuno Becker para seguir em frente em meio às dificuldades, Marina, vivida por Layevska que sofria de anorexia, fizeram da novela real e ao mesmo tempo envolvente.

Anahí ganharia aqui duas músicas integrantes à novela, “Primer Amor” (tema de seu personagem e de León) e “Juntos” (tema de encerramento da novela cantada junto com Kuno). Depois de 3 CDs lançados no México, seu álbum “Baby Blue” teve a ajuda da novela para estourar nas paradas mexicanas, vendendo mais de 100 mil cópias na época, algo excepcional até então para ela.  O sucesso internacional de Primeiro Amor – a Mil por Hora fez de Anahí referência para o público teen.

A novela ainda traria um fardo à Anahí: foi no final das gravações da novela que ela teria exposta uma crise de anorexia e bulimia que em 2001 quase a levaram a morte, fazendo-a ter uma parada cardíaca por 8 segundos.

Superado o trauma ela ainda trabalharia no ano seguinte, já recuperada, com Pedro Damián, mais uma vez, em “Clase 406”, ela entraria como a vilã da novela teen, já com a novela em andamento e mesmo assim roubaria a cena com sua personagem mais problemática e louca.

Amigas E Rivais

Em 2001, Emilio Larrossa mais uma vez traria à tona uma novela voltada para o público jovem, que havia se tornado seu principal. “Amigas y Rivales”, no original, conta a história de quatro jovens que cruzam suas vidas em um mundo de descobertas e aventuras.

            Nayeli (Angélica Vale) sonha em sair da pobreza tornando-se uma grande atriz de cinema, Laura (Michelle Vieth) vive uma vida simples de uma jovem de classe média, mas que tem problemas de relacionamento com a mãe e irmã, Ofélia (Adamari López) vive um mundo de festas e drogas até descobrir que contraiu HIV, e Helena (Ludwika Paleta) é a melhor amiga de Ofélia e partilham do mesmo tipo de vida desregrada.

            Nayeli vai trabalhar como empregada doméstica da casa de Helena, levando-a a conviver no mundo que sempre sonhou para si. Já Laura chega a vida de Helena, por estudar na mesma faculdade e por futuramente se envolver com seu pai e irmão. Helena vive em guerra com a madrasta, Rossana (Joana Benedeck), uma criminosa e psicopata sem escrúpulo algum, que ao longo da trama comete vários assassinatos em nome da sua posição social. Ela se apaixona pelo enteado e fará de sua vida um inferno.

            É nesse mundo onde as 4 protagonistas vão ter que aprender com os erros a serem amigas e a lutar contra as dificuldades que virão.

            Gabriel Soto, talvez tenha sido a grande revelação da novela, interpretando um feio (estilo Betty) que se apaixonava por Ofélia. Rendeu boas risadas e uma bela transformação no decorrer da trama. O personagem fez com que ele virasse galã requisitado em tramas seguintes, inclusive como protagonista.

            Joana Benedeck foi outra que abusou do status de vilã, sua Rosana foi uma das mais lembradas vilãs de novelas mexicanas, caricata, exagerada, sensual, louca e cínica, fez da personagem um ícone.

            Michelle Vieth foi quem mais decepcionou durante a novela, problemática e sem expressões faciais condizentes, ela fez uma personagem insossa e destoou totalmente das outras três protagonistas que aos poucos ganharam grande destaque na trama e carinho do público. Vieth chegou a ser demitida capítulos antes da trama ser concluída e sua ausência e perceptível em várias cenas dos últimos capítulos.

Assim como “Primeiro Amor”, a novela abusou de cenas fortes e impactantes e a tornou a um clássico, e uma das mais queridas pelos fãs de novelas mexicanas.

Rebelde

            Era incompreensível falar de novelas para o público adolescente e deixar de citar a novela que quebraria fronteiras de idiomas através da música, e com uma abordagem totalmente diferenciada das demais tramas teen da época.

            Pedro Damián, que havia tido bastante êxito com “Primeiro Amor” e “Clase 406”, criaria em 2004 a novela que ultrapassaria qualquer expectativa mais otimista da Televisa. “Rebelde” contaria a história de jovens em busca do sucesso através da música.

            O projeto tinha vindo da Argentina, que já havia realizado entre 2002 e 2003 a versão original, mas foi em terras mexicanas que a história conquistou o mundo.

            A primeira atriz confirmada no elenco foi Anahí, ela já havia protagonizado as duas últimas novelas teen de Damián, voltaria dessa vez com uma personagem que eternizaria a sua carreira. O resto do elenco passou por uma bateria imensa de testes para formar o elenco da novela.

Mia Colucci (Anahí) era a estereotipada patricinha mimada e fútil que se apaixonaria por seu algoz. Miguel Arango (Alfonso Herrera) acreditava que o pai havia se suicidado por culpa de Franco Colucci (Juan Ferrara), pai de Mia, e se mudaria para a Cidade do México em busca de vingança. É quando se apaixona à primeira vista por Mia (que o corresponde), mas descobre que ela é filha de Franco e decide se vingar dele através de Mia.

            Mia estuda no prestigiado colégio interno da alta sociedade “Elite Way School”, junto a ela um grupo de jovens ricos e alguns poucos bolsistas de situação financeira pouco abastada. É nesse colégio onde Miguel consegue uma bolsa de estudos para realizar posteriormente sua vingança contra o pai de Mia.

Diego Bustamante (Christopher Uckermann) é um rico e mimado filho de político que leva a vida sem limites e que vive envolvido em problemas. Já Roberta Pardo (Dulce María) é a filha de uma famosa cantora de música popular, Alma Rey (Ninel Conde), a verdadeira representação da rebeldia. Para não ir morar com o pai na Europa é obrigada a estudar no colégio interno, mesmo odiando todos ali. Ela e Diego se envolvem em brigas a todo o momento, até se apaixonarem, mas são incapazes de assumir isso.

Mia e Roberta ainda se tornariam rivais na popularidade com o restante dos alunos da escola, mas nem imaginariam que seus pais se envolveriam em um relacionamento e isso as obrigaria a se aproximar.

É nesse meio onde os 4 se juntariam a Lupita (Maite Perroni) e Giovanni (Christian Chávez), na aventura da música, mas há um impedimento: a escola é um modelo de boa conduta para a sociedade, e jamais permitiria que sua imagem fosse ligada a uma banda pop.

A novela foi dividida em 3 temporadas e contou com 440 capítulos, a maior produção mexicana do gênero. Junto a isso, vieram alguns problemas, como esvaziamento de enredos e repetição de algumas ações por parte de personagens, entradas e saídas constantes de personagens, mas nada que tirasse a novela da cabeça da garotada.

O RBD, banda fictícia formada a partir da novela tomaria o mundo com sua música. Conquistariam milhões de fãs mundialmente como na Espanha, Colômbia, Estados Unidos, Eslovênia, Chile e Brasil. A banda chegou a vender mais de 30 milhões de discos e se tornou o grupo mexicano mais premiado, vendável e conhecido desde ‘Timbiriche’.

            Os 6 integrantes da banda ganharam êxito internacional com apresentações para milhares de pessoas em grandes estádios. Mas o grande sucesso deixaria saudades prematuramente. Pretendendo terminar no auge, em 2008 foi anunciado o fim da banda, as pressas foram realizadas os últimos shows e no começo de 2009 (quase 5 anos após o início do projeto) o grupo lançaria seu sexto e último álbum de estúdio.

            Os maiores destaques ainda no grupo foram para Anahí e Dulce María (que pela rivalidade da novela, alegaram que se detestavam na vida real, algo nunca comprovado), as duas foram recordistas de campanhas de todos os gêneros e seus seguidores sempre exaltavam sua preferência por elas.

            Maite Perroni só veio ter o destaque merecido depois do fim da banda quando viu nas novelas um meio de crescer na carreira, de lá para cá é a campeã em protagonizar “novelas rosas” na Televisa, destacando-se “Cuidado com o Anjo” e “A Gata”.

            Anahí e Dulce decidiram ir pelo caminho oposto e não aceitar as condições da Televisa. Preferiram a carreira como cantoras. Ambas conseguiram postergar parte do público do RBD e seguir em frente no competitivo mundo da música latina. Anahí se firmou como a grande rival de Belinda pelo posto de “Princesa do Pop Latino”, com um pop sensual e totalmente avesso ao RBD, conseguiu uma grande quantidade de fãs que a acompanham em todas as suas fases.

            Christopher Uckermann decidiu se dedicar ao cinema, as séries e esporadicamente à música. Christian Chávez entre todos foi o que mais teve dificuldades em superar o fim do RBD.

Alfonso Herrera se firmou nos Estados Unidos como ator de séries e filmes, e entre os maiores sucessos estão a série “Sense8” da Netflix, a série “The Exorcist”, da FOX e vários filmes mexicanos.


Cenas do Próximo Capítulo (domingo, 16)

            Em nosso próximo capítulo chegaremos a atual década de 2010, e teremos um capítulo dedicado a atriz Angelique Boyer, a nova cara da Televisa.

Jorge Luis.

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